
As dívidas médicas levam os americanos a desistir de seus cuidados de saúde?
Nos Estados Unidos, uma em cada dez pessoas declara ter tido dificuldades para pagar suas contas médicas no ano passado. Esse fenômeno afeta especialmente aqueles que não têm seguro de saúde, mas também uma parcela significativa dos segurados. As consequências são diretas: as dívidas de saúde aumentam fortemente o risco de adiar ou cancelar cuidados essenciais.
Os cuidados dentários são os mais afetados. Mais da metade das pessoas endividadas por razões médicas adianta suas consultas ao dentista. Os cuidados gerais vêm em seguida, com um aumento significativo no número de pacientes que evitam consultar um médico. Os cuidados em saúde mental também são impactados, embora em menor medida. Esses adiamentos de cuidados não afetam apenas os não segurados. Mesmo com cobertura de saúde, as dívidas médicas incentivam o atraso nos tratamentos, especialmente para cuidados dentários.
As pessoas sem seguro são as mais vulneráveis. Quase uma em cada cinco acumula dívidas médicas, em comparação com uma em cada oito entre os beneficiários de assistência médica e uma em cada onze entre aqueles cobertos por seguro privado. Para estes últimos, o risco de desistir de cuidados médicos devido a dívidas é duas vezes menor do que para os não segurados. Por outro lado, para cuidados dentários e mentais, a diferença é menos acentuada entre segurados e não segurados.
As dívidas médicas agravam as desigualdades em saúde. Elas afetam mais as mulheres, pessoas de minorias étnicas, aquelas com baixa renda e aquelas que sofrem de doenças crônicas ou transtornos psiquiátricos. Esses adiamentos de cuidados, sejam eles dentários, médicos ou psicológicos, podem levar a complicações mais graves e custos mais elevados a longo prazo.
As políticas públicas poderiam atenuar esse problema, facilitando o acesso financeiro aos cuidados de saúde. Reduzir as barreiras econômicas relacionadas às dívidas médicas permitiria limitar os atrasos no tratamento e suas consequências para a saúde. O desafio é grande, pois esses adiamentos afetam todos os tipos de cuidados e todos os perfis de pacientes, sejam eles cobertos ou não por um seguro. A saúde bucal, frequentemente menos reembolsada, permanece a mais sensível a essas dificuldades financeiras.
Références légales
Travail de référence
DOI : https://doi.org/10.1007/s11606-026-10215-x
Titre : Medical Debt and Deferred Care for Physical Health, Mental Health, and Dental Needs Among U.S. Adults
Revue : Journal of General Internal Medicine
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Kyle J. Moon; Nora V. Becker; Katherine E. M. Miller; Catherine K. Ettman